A inversão da culpabilidade, no caso da jornalista Marcia Bina e do ciclista Heliotte Camargo Nunes, ambos vítimas de atropelamento, onde os motoristas, causadores do acidente, querem ser ressarcidos pelos danos causados aos veículos, revela uma agressão ao estado de direito, uma afronta ao judiciário onde malabarismos processuais tentam transformar vítimas em réus. Pois é, uma bicicleta invadiu a faixa e atingiu um frágil carro que estava passando. E uma atleta que se preparava para disputar uma corrida perdeu a direção e atropelou um veículo que se perdeu no local. Estamos num momento onde o país parece viver de cabeça para baixo numa troca de valores com parte da sociedade se achando coberta de direitos, enquanto que a imensa maioria transita apenas em obrigações. O episódio, citando Marcia Bina, que suportou semanas de dores e na cama torcendo para poder voltar a andar, não pode ser comparado com danos materiais. Vira, isso sim, um deboche em desrespeito ao ser humano.