Esta semana recebi uma mensagem da jornalista Marcia Bina. Diz o seguinte: “Você é um profeta meu amigo. Lembra quando você deu uma nota na sua coluna em 2014 sobre o meu atropelamento…e em tom indignado disse que ainda iriam tentar inverter o ônus da culpa? Pois bem, semana que vem tem uma audiência de um processo que a pessoa que me atropelou abriu contra mim. Quer que eu pague tudo….” A Márcia além de jornalista é atleta dedicada e empenhada. Ela se referia ao acidente que foi envolvida e que a deixou na cama por várias semanas. Inclusive provocando sequelas. Foi num domingo pela manhã quando ia participar de uma corrida de rua e acabou sendo prensada, quando se dirigia ao local da largada, contra dois outros veículos. O motorista, segundo boletim de ocorrência da Polícia Militar, que apresentava sinais de embriaguez, perdeu o controle do carro e atingiu a atleta, que teve fraturas importantes nas pernas e na bacia. Pois bem, esse empresário que atropelou Márcia Bina está recorrendo à Justiça exigindo que a vítima do atropelamento, exatamente isso, pague os danos materiais do veículo dele. Dá para acreditar? Pior que dá. Basta ter um bom advogado, que de posse da nossa legislação, carregada de atalhos e desvios, encontrará meios de inverter o ônus da culpa. Por sinal é uma espécie de técnica visando fragilizar a vítima e tentar amenizar a culpa. Mas menos mal que a Justiça não está mais fixada exclusivamente nas leis. Há interpretações respeitando a legislação, mas não mais assimilando certas estratégias de defesa. Pelo menos é o que se espera.