Está faltando em muitas atitudes e ações que se avolumam no universo de uma política de exploração pessoal, o espírito público. Muito acima de disputas partidárias numa corrida desenfreada ao poder está o país, está o Brasil e seu povo. Mas pelo visto não há essa identidade e muito menos esse compromisso fazendo valer, isso sim, o jogo de poder despido até de responsabilidade. Por mais que seja reconhecido o reajuste salarial na Justiça, onde servidores amargam anos de congelamento, esse não é o momento mais apropriado para elevar a folha em patamares de 70%. O veto da presidente Dilma foi de cautela e coerência. Por pouco, muito pouco, não foi derrubado pela inconsequência de um PSDB, que não visa o Brasil, mas sua sede incontrolável de retornar ao Palácio do Planalto, desmoralizando o bom-senso e o equilíbrio. Impeachment é outra coisa. Naquele momento não pensou nas perdas para o país, mas sim em fragilizar ainda mais o governo Dilma aproveitando-se de uma situação para transformá-la em benefício próprio. Não estava ali defendendo o salário dos servidores e magistrados, mas tentando atingir o governo, reconhecendo, com certeza, que esse reajuste era descabido no volume e momento. O PSDB que se apresenta como opção de oposição revelou nessa votação a falta de espírito público necessário, no mínimo, para hipotecar esperança e mudanças. Inclusive os dois tucanos de Santa Catarina, Marco Tebaldi e Geovânia de Sá, acompanharam essa contramão. Fica difícil de acreditar, com essa representatividade que um dia seremos Nação.