O episódio da agressão à praia de Canasvieiras devido à poluição do Rio do Brás reascendeu uma discussão antiga e vergonhosa: saneamento básico. Santa Catarina apesar dos investimentos até aqui conquistados continua ocupando um lugar incompatível com sua importância no cenário nacional. O Brasil, na verdade, precisa avançar e muito para ofertar a população um serviço sanitário digno e adequado. Um pouco mais da metade dos municípios em todo o país conta com coleta e tratamento de esgoto. Em 2007 foi aprovada uma lei para determinar diretrizes para o saneamento em todo o pais com o lançamento de um Plano Nacional, considerado um marco. Há décadas os governos e a sociedade debatem o direito dos brasileiros previsto na Constituição Federal, que inclui também o saneamento básico. Existe uma legislação que deveria ser aplicada com eficiência. Atender as necessidades da população respeitando os critérios ambientais é um dos grandes desafios do Poder Público, que muitas vezes tropeça em prioridades mais visíveis eleitoralmente deixando o saneamento para uma outra etapa, que caso desconsiderada criará, sem sombra de dúvidas, consequências de degradação ambiental. O rio do Brás é um exemplo. Um péssimo exemplo. O Brasil por falta de vontade política e má gestão está muito distante da universalização do saneamento, que significa saúde, qualidade de vida e preservação do meio ambiente. Só isso. E quando o governo oferta esse serviço cabe a população ligar-se a rede. Pois não deixa de ser um importante legado para as novas gerações. Pesquisas do IBGE mostram que o saneamento em muitos lugares foi deixado de lado. Hoje a sociedade conta mais com um celular e acesso a tecnologia do que ao saneamento. Contrastes indesejáveis.