Para morrer, basta estar vivo. O que não nos pertence é a vida. Por isso ela requer cuidados especiais. Grande parte desses cuidados depende exclusivamente de nós, inclusive, no respeito a vida dos outros. Mas há também a responsabilidade do poder público em preservar e proteger a vida dos cidadãos. Vivenciamos, um dia depois do Natal, uma morte estúpida que vai da fatalidade, a imprudência, passando pela irresponsabilidade e inconsequência, alcançando a insegurança. A partir daí alguns questionamentos são obrigatórios no cotidiano das autoridades. A proposta não é apontar culpados, mas construir meios de pelo menos frear em parte o inaceitável, pois basta estar vivo. Florianópolis é uma cidade onde muitos bairros são ligados por rodovias e não avenidas. Estradas de responsabilidade do governo estadual e sem o tratamento adequado para atender as necessidades de quem vive e usa aquele espaço. A SC 401, para citar como exemplo recente de uma tragédia, é um caso. Imagine com calçadas, ciclovias, iluminada, e com um tratamento viário diferente do atual…como estava proposto quando de sua duplicação. Reduziria as estatísticas de mortes. Teria outro apelo e outra utilidade. E não fica só na 401. Tem que acabar com uma cidade cortada por rodovias estaduais. É como se estivesse viajando de um bairro para outro, e não transitando. Mas há outros pontos que merecem atenção redobrada, como a avenida Beiramar. Qual a proteção que possui? Qual a segurança que oferta para as milhares de pessoas que passeiam, treinam, exercitam e buscam lazer familiar? Nenhuma. Estamos pela garantia Divina. Um carro a 80 quilometros, o que é permitido, estourando um pneu e avançando no calçadão estaremos diante de uma fatalidade. Não aconteceu, mas vamos esperar que aconteça para fazer alguma coisa? Prevenção. Contamos com profissionais em arquitetura de alta qualidade, premiados e apaixonados pela cidade onde vivem. Com certeza saberiam criar, mantendo a beleza do local, meios de proteção desde guard-rails até canteiros em blocos…não sei, mas rompendo com os improvisos comuns por aqui que acabam em discursos de lamentação depois de vidas perdidas, e nenhuma ação efetiva.