Estamos diante de um estado policial? A atuação da Polícia Federal está sendo emoldurada por uma operação de marketing? Está sendo violado o estado de direito? São muitas as indagações quando de repente o país se vê frente a ações de combate à corrupção colocando algemas em pessoas até então inatingíveis. O que causa estranheza é que operações da Polícia Federal só são questionadas com veemência quando atingem uma certa camada social. Ou seja, as demais continuam à margem da defesa calorosa por direitos e cidadania? Mas não vamos provocar uma luta de classes, em questão o combate efetivo contra desvios intoleráveis e que atravessaram o limite da indignação. O ministro Tarso Genro jogou um balde de água fria em parlamentares que foram reclamar de excessos da PF. Argumentou que estão agindo de acordo com a lei e sob orientação da Justiça, ?doa a quem doer?. Deixou claro que vão continuar, pois então se cuidem, ajam com honestidade e em respeito à legislação. Não falou isso, mas deu a entender. O presidente Lula também foi questionado por lideranças políticas e disse que vai apurar os excessos. Até porque se trata de um ponto delicado. Jogar na imprensa nomes ou suspeições sem o devido cuidado pode ser uma estratégia perigosa, permitindo inclusive que o vice-presidente do STF, Gilmar Mendes, por exemplo considere esta prática ?uma tremenda canalhice,? ao ser colocado como suspeito. Este big brother telefônico é um meio de se chegar ao submundo do crime. Um artifício legal para denunciar e levantar provas, embora às vezes seja usado correndo o risco de ser banalizado. Acontece que a população cansou de ser manipulada e desconsiderada. Vê uma luz do fundo do túnel quando inatingíveis são questionados diante da lei. A Polícia Federal faz o seu papel dentro de suas características de polícia. Se avançou o sinal, lamentavelmente muitos também avançaram apostando na impunidade. É só evitar espaço para que não seja condenada a ação, mas sim a causa.