Fica claro que o governo é perdulário. Para compensar suas pedaladas onera a carga tributária recorrendo aos impostos para suprir, inclusive, benesses que se espalham entre os Poderes. Fica difícil de aceitar cortes em áreas como saúde e educação, em nome de medidas de recuperação econômica enquanto outros segmentos mantêm um custo, inclusive, discutível. Um deles é o famoso auxílio-moradia. Na segunda-feira que passou o governo Dilma disponibilizou um crédito suplementar de R$ 419 milhões para cobrir despesas com auxílio-moradia. Crédito suplementar. Aí não houve cortes, nem reduções. A maior fatia deste valor, 72%, será destinada ao Poder Judiciário, seguido do Ministério Público com 25%. Há uma discussão a respeito desses recursos com a alegação que não podem ser caracterizados como benefício. Essas distorções, que foram criadas no decorrer dos anos e se estabeleceram como um direito, destoam da realidade atual. Hoje a cultura é do benefício próprio onde há uma imensa dificuldade, inclusive, de colocar esses temas embalados por benesses em discussão para uma reavaliação. Há uma reação contrária no campo da ameaça. Claro que fica complicado retirar o que foi concedido, embora, irresponsavelmente. Mas o manto dos privilégios agride de sobremaneira a realidade das ruas transformando-se num deboche com uma população que arca com uma dívida que não é dela.